GLOBALISMO, GLOBALIDADE OU GLOBALIZAÇÃO?

O que globalizou foi o fenômino do Estado-Nação. Agora tem Estado Nacional para todos os lados. No início do século XX, eram 60 países, no máximo. Agora tem 200 Estados. O capital, quanto mais fortalece e expande, mais fica nacionalista.

(José Luis Fiori)

terça-feira, 30 de março de 2010

Etapa 3 c) e d) Processo de Globalização e Capitalismo: Mundialização: O Capital Financeiro no Comando

Para Chesnais o capital financeiro industrial e o financeiro “puro” estendem-se por quase todo o mundo, de modo que os grandes bancos, os fundos de investimentos, as sociedades financeiras e as grandes companhias de seguros comandam e se beneficiam desta nova forma do capitalismo. No entanto, estas instituições não chegaram nesta posição de vantagem se não contassem com a ajuda dos Estados, diga-se de passagem, dos países desenvolvidos que incentivaram o crescimento destas, pois também serviriam aos seus interesses. No que Chesnais diz “Sem a ajuda ativa dos Estados, os FMN e os investidores financeiros institucionais não teriam chegado às posições de domínio que sustentam hoje e não se manteriam tão à vontade nessas posições. A grande liberdade de ação da qual eles gozam no plano doméstico e a mobilidade internacional quase completa que lhes foi dada, necessitaram de inúmeras medidas legislativas e reguladoras de desmantelamento de instituições anteriores e de colocação no lugar das novas” (CHESNAIS, 2005).
O autor vai além ao afirmar que a globalização não é um processo integrador, muito pelo contrário, a globalização é desigual e excludente, pois a globalização e/ou capitalismo separa ainda mais os ricos dos pobres, existe, portanto, uma polarização na qual os Estados ricos ficam cada dia mais ricos, e os países pobres cada vez mais pobres. Neste sentido Chesnais (2005) tem frisado bastante é a questão da Tríade (a América do Norte, a Europa Ocidental e o Japão) na qual partirão todas as importantes decisões que irão repercutir mundo afora, principalmente dos Estados Unidos, que segundo ele “os Estados Unidos são o pivô de tudo e o ponto de onde partem os mais importantes impulsos em direção às outras partes do mundo, tanto do “Norte” como do “Sul”. Os Estados Unidos são também, deste modo, o ponto em direção ao qual convergirão em compensação, mais cedo ou mais tarde, as principais contradições da mundialização, principalmente os fatores sistêmicos de fragilidade financeira”. Por fim, o autor deixa claro que a mundialização do capital não é “americana”, mas sim capitalista, de todos os países.


CHESNAIS, François. Mundialização: O Capital Financeiro no Comando. Disponível em:
http://74.125.155.132/scholar?q=cache:vvXqZ3ul80EJ:scholar.google.com/+Mundialização:+o+capital+financeiro+no+comando&hl=pt-BR&as_sdt=2000




sábado, 27 de março de 2010

Etapa 3 c) e d) Processo de Globalização e Capitalismo: Globalização não é um Jogo Inocente - Entrevista com Nicholas Stern

Como já tratado no post anterior, segundo Nicholas Stern, a globalização não é um jogo inocente. Ele define a globalização como um processo que envolve integração de capitais, de pessoas e integração comercial e cultural. Portanto ele afirma, em sua entrevista ao jornal Folha de São Paulo, que os países só devem abrir suas economias nos setores em que sabem que são competitivos, pois ele reconhece que a derrubada de barreiras não deve ser feita de forma ingênua, os países em desenvolvimento devem procurar abrir suas economias naquilo que lhes for vantajoso comercialmente.
Nicholas Stern classificou a Índia e a China como " nações mais globalizadas", ele fez essa análise através da integração comercial dos paises e o impacto dessa integração no crescimento e na redução da pobreza. "Acho que esse é o único critério "limpo". Não quis julgar nem avaliar outras políticas ou os instrumentos que os países usaram para elevar o comércio".O ex-economista chefe do Bird afirma que houve mudanças positivas nos índices de crescimento e de pobreza desses países depois de iniciarem uma integração comercial.
Sobre o Brasil, Stern defende a idéia de que o país não deve usar o protecionismo dos países industrializados para adotar suas próprias medidas protecionistas e protelar a abertura comercial. De acordo com ele, o Brasil e outros países em desenvolvimento devem abrir suas economias naquilo que lhes for vantajoso comercialmente. É o caso da Índia, Nicholas Stern cita, que derrubou as barreiras quando concluiu que elas já não mais eram benéficas. A decisão foi tomada pelos indianos, não por outros países. "Não é ingênuo derrubar barreiras de maneira seletiva" afirma Nicholas Stern.


Entrevista com Nicholas Stern, Dezembro de 2001, “Globalização não é um jogo inocente”. Disponível em: http://www.globalizacion.org/entrevistas/SternGlobzBancoMundial.htm





Etapa 3 – c) e d) O Processo de Globalização e o Capitalismo: Globalização não é um Jogo Inocente

O ex-economista chefe do Bird, Nicholas Stern, veio ao Brasil em 2001 para divulgar o relatório do Banco Mundial “Globalização, Economia e Pobreza” ocasião na qual concedeu uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo. O relatório tem enfoque na relação aumento do comércio x redução da pobreza e Stern afirma que não é ingênuo, pelo contrário, é benéfico que um país derrube barreiras comerciais de maneira seletiva, em pontos estratégicos, independente do protecionismo dos países ricos.
Tal relatório aponta para China e Índia como as nações mais globalizadas, mas Stern esclarece dizendo que o conceito de globalização utilizado foi o de integração comercial e, que estes países, depois de derrubarem barreiras comerciais foram beneficiados. “Houve mudanças positivas nos índices de crescimento e de pobreza desses países depois de iniciarem uma integração comercial”.
Segundo Stern “se a globalização não é uma receita imediata para dar fim à pobreza em todos os lugares, ela certamente reduz nas economias comercialmente integradas”. Podemos notar que, frente a esta declaração, o Bird se posiciona de acordo com a corrente transformacionalista da globalização, pois acreditam que o desenvolvimento capitalista afeta outras dimensões, além da econômica.


Entrevista com Nicholas Stern, Dezembro de 2001, “Globalização não é um jogo inocente”. Disponível em: http://www.globalizacion.org/entrevistas/SternGlobzBancoMundial.htm
Para saber mais: SOUZA, Nali de Jesus. Globalização, Crescimento e Pobreza: A visão do Banco Mundial sobre os efeitos da globalização. Disponível em: http://www.nalijsouza.web.br.com/globalizacao.pdf. Visualizado em: 26 de Março de 2010.



Etapa 3 - c) e d) O Processo de Globalização e o Capitalismo: A Vitória dos Ricos na Globalização

O texto começa com uma frase que sintetiza parte do pensamento dos céticos quanto ao fenômeno da globalização: “As regras do jogo do capitalismo global por enquanto favoreceram muito mais os países industrializados do que as nações em desenvolvimento". Isso foi dito em Maio de 2002, momento da publicação do artigo na Revista Veja, e, no entanto, ainda serve muito bem 8 anos depois.
Os autores consideram a globalização como um acontecimento irreversível e irremediável. Os países em desenvolvimento que muitas vezes se apoiaram nela para aumentar seu crescimento, perceberam pouco depois que ela também pode ser caracterizada como um processo excludente e perigoso, uma vez que o capitalismo global e a onda de liberalização dos anos 90 causaram muitos estragos em economias que estavam crescendo e acabaram em uma profunda crise econômica. No texto, o ponto alto da ligação entre o capitalismo e a globalização vem expresso na seguinte afirmação: “Ironicamente, os comunistas chineses ajudaram a provar que o capitalismo é indispensável para tirar as pessoas da pobreza”. Isso porque, o momento em que a economia chinesa começou a despontar mundialmente foi justamente na década de 90 com uma maior abertura econômica impulsionada pela globalização. A partir de então, os chinese, que defendiam ferozmente os preceitos comunistas e fugiam da liberalização por motivos ideológicos, passaram a fazer parte do fenômeno da conexão global.
Outra discussão presente no artigo é a respeito do comércio mundial e das barreiras à exportação. Os países em desenvolvimento continuam sendo prejudicados pelos subsídios que os países ricos dão aos produtores agrícolas nacionais. E essa tendência, ao contrário do que os autores afirmaram no texto, está longe de ser revertida com o aprofundamento da globalização. Hoje, se pode afirmar isso com segurança, uma vez que a Rodada Doha da OMC ainda não conseguiu produzir efeitos suficientes nos governantes dos países ricos para que essas práticas protecionistas fossem desencorajadas. As conversas nesse campo vêm sendo pouco produtivas, já que as barreiras comerciais continuam sendo impostas por parte dos países desenvolvidos e, a abertura econômica para produtos estrangeiros não sofreu grandes alterações por parte dos países em desenvolvimento.
Já no campo político, a globalização obteve grande sucesso no quesito de levar idéias globais de democracia e liberdade para todos os cantos do mundo. A globalização, segundo os autores, serviu inclusive para passar uma idéia de que tudo o que acontece em qualquer parte do globo é “vigiado” pelas pessoas de outros os lugares. Ainda, esse fato serviria para pressionar os Estados Unidos, que mesmo sendo uma potência hegemônica, teria que prestar contas aos outros países. Esse fato é apoiado pela teoria da interdependência de Joseph Nye.
Os americanos, mesmo sendo um ponto chave para a globalização e fonte de sustentação para o capitalismo global, não conseguem resolver todos os problemas do mundo sozinhos. Está fora de seu alcance. Aliás, a cultura americana largamente espalhada pelo mundo acabou sofrendo grandes perdas durante o governo Bush devido à chamada “guerra ao terror”. O terrorismo é um dos problemas que não podem ser solucionados unilateralmente, assim como o combate ao narcotráfico, o desmatamento e a proteção do meio ambiente.


ALCÂNTARA, Eurípedes; SALGADO, Eduardo. A vitória dos ricos na globalização. Revista Veja, 29/05/2002. Disponível em: http://veja.abril.com.br/290502/p_096.html. Visualizado em: 26 de Março de 2010.



Etapa 3 - b) O Desenvolvimento do Sistema Capitalista de Produção

O sistema capitalista de produção durante o século XX esteve diretamente relacionado à indústria automobilística com o surgimento do fordismo, que possuía três principais características, a saber: Produção em massa, para reduzir o custo de produção e o preço de venda; Racionalização da produção através do parcelamento de tarefas; e a Linha de Montagem, na qual os empregados exerciam tarefas individuais sucessivas. O fordismo pregava a produção em larga escala, com baixos salários, condições precárias de trabalho e a maior obtenção de lucros possíveis, portanto este modelo de produção mostrou uma intensa exploração do trabalhador, como também um acúmulo de capital.
Diante disso, os trabalhadores nas décadas de 1960/1970 começaram a clamar por melhores condições de trabalho, mais respeito, e também o próprio Estado de bem-estar social acaba entrando em crise em países da Europa levando a este tipo de modelo de produção ao declínio. O que levou o fordismo a uma crise estrutural, caracterizada pela queda no lucro devido ao aumento do valor da mão-de-obra, resultantes desses clamores por melhores condições de trabalho.
Com isso um novo modelo de produção apareceu como solução para a crise do capital ocorrida nos anos 70, chamado de toyotismo, este dizia ser uma “alternativa” a exploração dos operários, pois via nestes o reconhecimento dos valores dos trabalhadores, da ação do trabalho em equipe e de suas qualificações profissionais, no entanto, o que se avistava era mais do mesmo, ou seja, o trabalhador continuava sem perspectivas de melhora, mal remunerado, trabalhando horas a fio, muitas vezes em situações desumanas, tudo em nome do enriquecimento desenfreado, da ânsia de alguns para a maximização dos lucros, da mesma forma que ocorria no fordismo.
Podemos concluir que durante todo o processo capitalista, o único objetivo sempre foi o lucro, não existindo respeito algum pelo trabalhador, priorizando apenas o capital. Em ambos os casos, fordismo e toyotismo, o objetivo era o lucro, os dois modelos de produção possuíam estratégias diferentes, porém, pretendiam-se chegar ao mesmo ponto.


Bibliografia:

PERES, Marcos Augusto de Castro. Do Taylorismo/Fordismo à acumulação flexível Toyotista: novos paradigmas e velhos dilemas. Disponível em: http://www.deboraprado.pro.br/disciplinas/globalizacao/arquivos-globalizacao. Visualizado em: 25 de Março de 2010.



Etapa 3 - a) Histórico do Processo de Globalização e o Desenvolvimento do Sistema Capitalista: Globalização e políticas públicas: vida, paixão e morte do Estado nacional ?

O texto "Globalização e políticas públicas: vida, paixão e morte do Estado nacional ?" do autor Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes tem como objetivo fornecer uma visão do processo de globalização econômica e  mostrar o papel do Estado em tal evento.
O autor divide o processo de globalização em três períodos. O primeiro é denominado "capitalismo organizado" e compreeende o intervalo entre 1870 e 1970. Nesse período, o Estado tinha grande participação na formação do capital por meio da proporção acentuada dos tributos e taxas na composição do produto nacional bruto. Além disso, houve a criação de novas formas de o Estado regular as relações entre as pessoas, como a criação de legislações trabalhistas e sociais.
Dentro desse intervalo, o autor dá um destaque para os últimos 25 anos, chamados de "os 25 gloriosos do pós-guerra". Tal período marcou a "reconstrução do mundo" por meio da hegemonia dos Estados Unidos e das regras de Bretton Woods, além de ter sido caracterizado pelo rápido crescimento econômico, tanto nos países centrais quanto nos periféricos, expansão do welfare state, regulação das relações de trabalho e relativa estabilidade nas relações internacionais.
A estabilidade citada no parágrafo anterior possuía relação com o sistema Bretton Woods, visto que ele viabilizava a livre troca de mercadorias por causa do sistema monetário mais estável e, ao mesmo tempo, dava certa autonomia aos Estados nacionais para protegerem sua estrutura interna (coalizões sociais) de eventuais movimentos de capitais destrutivos da ordem doméstica. Esse papel que o Estado desempenhava era chamado de consenso keynesiano pela similaridade com a idéia de Keynes, ou seja, o Estado deveria se proteger de resultados globais negativos em um mundo composto por iniciativas privadas cada vez mais criativas.
O segundo período compreende a década de 1970 e é chamado de crise de identidade do capitalismo organizado. Tal crise foi precedida pelo crescimento da tendência de questionamentos das regulações nacionais por parte do capital transnacional, passou pela criação de formas de "burlar" tais regulações e chegou ao momento em que o conflito ficou mais latente, como quando houve ataque às regulações nacionais no âmbito da produção, do comércio e das finanças. As reformas que foram processadasa nessa época buscaram atender ao que o mercado pleiteava, ou seja, houve a liberalização  dos fluxos  e/ou redução do controle sobre os movimentos de capitais.
O terceiro período compreende os efeitos dessa crise que são verificados até os dias de hoje (emergência do capitalismo reorganizado/aprofundamento da globalização). O crescimento econômico tem sido mais lento, o welfare state perde parte de suas prerrogativas e, com isso, o Estado perde poder. Há uma flexibilização da relações trabalhistas e cresce a instabilidade nas relações internacionais. Os Estados foram os atores que mais sentiram os efeitos do desenvolvimento da economia capitalista. Algumas de suas prerrogativas foram reduzidas ou delimitadas por entidades supranacionais como credores e organizações multilaterais como o FMI e a OMC.

Bibliografia:
MORAES, Reginaldo Carmello Correa de. Globalização e políticas públicas: vida, paixão e morte do Estado nacional ?, mai/ago. 2004, p. 309-333.
Disponível em:

Etapa 3 - a) Histórico do Processo de Globalização e o Desenvolvimento do Sistema Capitalista: Globalização Financeira – a utopia do mercado e a re-invenção da política

O objetivo do artigo “Globalização Financeira – a utopia do mercado e a re-invenção da política”, de Gentil Corazza, é analisar o processo recente da globalização financeira, que o autor chama de processo de “financeirização” da economia, e traçar um histórico sobre o processo de globalização financeira e o desenvolvimento de um sistema capitalista global. Um dos fatores mais importantes desse processo de globalização é o rápido crescimento dos mercados financeiros, que se desenvolveu com uma grande autonomia e consegui se desvincular do sistema produtivo e comercial.

Abaixo será citado fatos e processos que explicam a globalização financeira atual.

1 – Em 1984, houve a criação do Euromercado, que o autor acredita ser o embrião da globalização financeira, pois representou a formação de um mercado mundial de moeda “sem pátria” e revolucionou o caráter das atividades bancárias. O Euromercado representou o sistema financeiro mais liberal já visto.

2 – Outro fato fundamental para a globalização financeira foi um grande acúmulo de riqueza financeira e monetária que jamais havia sido visto no sistema capitalista. Fatos que contribuíram para esse acúmulo foram os choques do petróleo (1973 e 1979), a crise da dívida externa de países periféricos (final da década de 70 e início da década de 80), que foi agravada com a repentina elevação das taxas de juros em 1979.

3 – A restauração da conversibilidade das moedas européias e japonesas em ouro e a adoção do sistema de taxas de câmbio flexíveis em 1973 também foram fatos determinantes para a globalização , pois com a adoção desse sistema o valor das moedas era designado através do movimento de capital especulativo, então o Estado já não tinha mais a capacidade de fixar o valor de sua moeda, o que é uma demonstração importante da intensidade do processo de globalização financeira.

4 – E por último, mas não menos importante, devemos considerar também o fato da transformação do sistema financeiro americano. Pois com a liberalização financeira, os EUA decidiram adotar políticas restritivas e regulatórias para impedir a evasão de capitais, mas essas políticas tiveram um efeito contrário e acabam gerando uma reformulação no sistema financeiro e a internacionalização de diversas instituições financeiras norte-americanas.

Corazza, Gentil. Globalização Financeira - a utopia do mercado e a re-invenção da política. XXI Encontro Nacional de Economia, ANPEC, 2003. Disponível em: http://www.anpec.org.br/encontro2003/artigos/A24.pdf