GLOBALISMO, GLOBALIDADE OU GLOBALIZAÇÃO?

O que globalizou foi o fenômino do Estado-Nação. Agora tem Estado Nacional para todos os lados. No início do século XX, eram 60 países, no máximo. Agora tem 200 Estados. O capital, quanto mais fortalece e expande, mais fica nacionalista.

(José Luis Fiori)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Parte II - Etapa 3 a) b) Principais reflexões de Joseph Stiglitz

Segundo Stiglitz (2002, p.30-32) a globalização trouxe vários benefícios para as populações ao redor do mundo, desde o crescimento econômico devido, sobretudo a abertura/liberalização do comércio e dos mercados, passando pelo aumento da expectativa de vida dos povos que foi aumentada até a redução das distâncias/isolamento entre as pessoas e países. No entanto, a globalização também fez aumentar a distância entre ricos e pobres, ou seja, o número de miseráveis no planeta, principalmente em regiões africanas aumentou significativamente.


Na verdade em diversos lugares do mundo o processo da globalização não foi homogêneo nem tão pouco vencedor, muito pelo contrário, como afirma Stiglitz (2002, p.32), pois

Se a globalização não logrou êxito em reduzir a pobreza, também não teve sucesso em garantir a estabilidade [...] A globalização e a introdução de uma economia de mercado não geraram os resultados prometidos na Rússia nem na maior parte das outras economias que fizeram a transição do comunismo para o capitalismo.

Quem lucra com todo este processo de globalização são as economias ricas, pois uma vez alcançado o patamar de industrialização avançado podem dar-se ao luxo de impor agora dificuldades para abrir os seus mercados para os Estados menos desenvolvidos (STIGLITZ, 2002, p.33). De outro modo, a questão que mais é debatida pelo autor é justamente a capacidade das instituições internacionais de responder com eficiência a este processo e a percepção é a de que estas deixam a desejar no desempenho deste papel.

As instituições do Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial são utilizadas pelo autor para embasar os seus argumentos, no caso por terem desempenhado ao longo dos anos papel relevante no cenário econômico/financeiro internacional. Stiglitz é um crítico destas instituições, mais precisamente do FMI, pois os Estados que precisaram deste pagaram um preço muito caro por isso, como a imposição de condicionalidades que muitas vezes era penoso para os mesmos.

Tais instituições criadas na cidade de Bretton Woods no pós Segunda Guerra Mundial sofreram durante a década de1980 uma mudança de pensamento, como salienta Stiglitz (2002, p.36) “A mudança mais drástica nessas instituições ocorreu na década de 1980, época em que Ronald Reagan e Margaret Thatcher pregavam uma ideologia de livre mercado nos Estados Unidos e no Reino Unido. O FMI e o Banco Mundial tornaram-se as novas instituições missionárias, por meio das quais essas idéias era impostas aos relutantes países pobres que, via de regra, precisavam muito de seus empréstimos e concessões”.


Estas instituições falharam no sentido de que não souberam lidar e/ou resolver os problemas enfrentados pelos Estados em desenvolvimento, pior ainda ao intervirem dentro destes quiseram e conseguiram em particular o FMI, impor certas medidas econômicas que acabaram por desestruturar ainda mais o país que necessitava de ajuda.

Um fato em particular que aconteceu em especial na América Latina impondo regras/normas foi o Consenso de Washington, no qual os Estados Unidos, o FMI e o Banco Mundial juntaram-se afim de “ajustar as economias latino-americanas”, sem nem ao menos perguntar se estes países estavam preparados ou ainda se queriam aceitar a “ajuda” destes.

Outro ponto levantado por Stiglitz é que as instituições servem aos interesses dos poderosos, dos mais ricos, dos governos dos Estados desenvolvidos, mas também dos grupos de interesses inerentes a estes, ou seja, “As instituições são controladas não só pelos países industrializados mais ricos do mundo, mas também pelos interesses comerciais e financeiros desses países; as políticas das instituições refletem isso. A seleção das instituições simboliza o problema destas e, muitas vezes, contribui para sua disfunção” (STIGLITZ, 2002, p.46). O autor vai além e diz que o momento atual é de uma governança global sem governo global, no qual algumas instituições dominam o sistema internacional, no caso FMI, Banco Mundial e OMC, e seus respectivos grupos de interesses (STIGLITZ, 2002, p.49).

Questão ainda discutida pelo autor são as condicionalidades que o FMI impunha aos países que necessitassem de sua ajuda, uma de suas desculpas era a de que deveria se ter garantias de que os Estados de fato cumprissem as metas estabelecidas pelo próprio fundo e que aplicassem o dinheiro de forma eficaz.Contudo, “Estudos feitos no Banco Mundial e em outras instituições mostraram não só que a condicional idade não garantia que o dinheiro seria gasto de maneira adequada e que os países cresceriam mais rapidamente, como também que havia pouca evidência de que funcionasse” (STIGLITZ, 2002, p.76).

Por fim, a idéia que fica é a de que os próprios países podem e devem eles mesmos promover as suas reformas políticas/econômicas e mesmo que conte com ajuda externa, no caso o de organismos internacionais que estes possam ter a sensibilidade de procurar saber/conhecer ao país ao qual pretende ajudar, sem medidas gerais para todos os países, pois cada país é único, o que é bom para um Estado, pode não ser tão bom para outro Estado. E Stiglitz (2002, p.79) adverte sobre isso, no tocante principalmente ao FMI, “Há pelo menos duas razões pelas quais o FMI deveria trocar idéias extensamente dentro de um país ao preparar suas avaliações e projetar seus programas. Os habitantes do país provavelmente sabem mais sobre a economia dele que os funcionários do Fundo...”.

Stiglitz, Joseph E. A Globalização e seus malefícios: a promessa não-cumprida de benefícios globais. São Paulo: Futura, 2002.

Parte II - Etapa 2 c) d) e) Os Impactos da Globalização no Regionalismo

Ricardo Carneiro (2008) discute em seu artigo as várias dimensões da integração e suas inter-relações. Primeiro, discute-se os aspectos gerais da inserção na economia global das duas principais regiões periféricas: Ásia em desenvolvimento e América Latina. Em seguida, examina-se o desempenho dessas regiões do ponto de vista do crescimento, tanto na ótica quantitativa quanto qualitativa e por fim, analisa os perfis intra-regionais de integração dessas regiões, estabelecendo-se suas diferenças. Em suma, Carneiro dá grande ênfase aos mútuos condicionantes que se estabelecem entre essas duas dimensões da integração: a global e a regional.

Já Pascal Lamy (2002) tem como tema principal de sua entrevista, duas abordagens: o regionalismo e o multilateralismo no âmbito América Latina e Europa, mais precisamente, MERCOSUL e União Européia. Para ele nem vale a pena tratar do unilateralismo, o qual se tornou uma política insustentável.

Outro ponto discutido na entrevista com Lamy (2002) é a abordagem de dois tipos de modelos fundamentais de regionalismo: o "modelo dos bons vizinhos" no qual o regionalismo está baseado essencialmente na eliminação de entraves nas fronteiras e, a definição de regras comuns que tende limitar-se ao mínimo necessário para assegurar condições de igualdade dos parceiros em termos de trocas comerciais. Neste enquadramento, os membros continuam a sentir-se livres para prosseguir com seu próprio desenvolvimento, cooperando nas questões em relações às quais partilham pontos de vista comuns; e o “modelo da família feliz" onde os países partilham a vontade política de construir uma comunidade e de pôr em comum a sua soberania. Este tipo de regionalismo tende para a integração política, nomeadamente para a criação de um mercado comum, a harmonização de normas e regulamentações, políticas de redistribuição, especialmente quando existem diferenças de desenvolvimento que devem ser atenuadas, ou políticas comuns em determinadas áreas como a da defesa.

Deste segundo modelo decorrem duas conseqüências: em primeiro lugar, o grau de alinhamento das preferências coletivas dos países varia, porém, quanto mais profunda for a integração, mais as preferências coletivas desempenham um papel na eficácia dessa aproximação. Este desenvolvimento revela a necessidade de um elevado grau de confiança entre os Estados, exigindo que os parceiros tenham de lidar com a diversidade. Em segundo lugar, existem grandes diferenças no nível das instituições necessárias para gerir as regras que os membros estabeleceram para si próprios (LAMY, 2002).

Apesar das diferentes abordagens apresentadas, ambos autores acreditam que a globalização trouxe impactos positivos para os processos de integração regional.

Para Carneiro (2008, pp.28-30) no plano intra-regional ficou evidenciado tanto uma maior intensidade como uma melhor qualidade da integração. O peso e a natureza do comércio intra-regional decorrentes de níveis elevados de Ide constituem o principal aspecto do diferencial da integração entre as regiões. No âmbito da infra-estrutura, as diferenças são também marcantes, sobretudo no que tange à capacidade das regiões em ampliar a oferta.

Lamy (2002) atribui que a crescente interdependência entre as economias e sociedades é um aspecto essencialmente positivo, mas ele faz um alerta: trata-se de um aspecto positivo porque essa interdependência significa uma maior eficácia na distribuição dos recursos e um incentivo poderoso para a inovação. Mas apenas se tratar de uma interdependência dirigida, ou seja, acompanhada de ações corretoras, destinadas a evitar que as desigualdades entre nações, e no interior destas, se tornem politicamente e socialmente insustentáveis, e que o crescimento econômico implique no esgotamento dos escassos recursos naturais.

De acordo com Lamy (2002), tudo isto implica procurar estabelecer um equilíbrio entre as forças de mercado, por um lado, e o papel das autoridades públicas e das organizações internacionais no que diz respeito ao fornecimento de bens públicos e à consolidação do Estado de Direito e da boa governança, por outro. Neste sentido, Carneiro (2008, pp. 28-30) complementa apontando para duas variáveis-chaves que podem conduzir a uma melhora do perfil da integração regional: a primeira é condição necessária para a diferenciação da estrutura industrial em direção a setores mais intensivos em tecnologia por meio da atração de Ide e da ampliação da sua dimensão intra-regional. A segunda, além de permitir a redução de custos e de viabilizar a ampliação do comércio intra-regional permitirá a integração de novas áreas produtivas na economia regional.

No entanto, apesar dos autores concordarem que a globalização trás benefícios para os processos de integração regional, percebemos que para Carneiro a integração nos âmbitos global e regional se complementam, já para Lamy o regionalismo tende a reforçar a dimensão da cooperação, enquanto o multilateralismo é necessariamente mais centrado na concorrência.

Carneiro (2008, p.29) conclui que as formas de integração esclarecem algumas questões cruciais sobre o desempenho diferenciado das regiões periféricas no contexto da globalização, mas para entender com maior profundidade as diferenças de desempenho inter e intra-regionais seria imprescindível considerar dimensões domésticas do processo, tais como o momento histórico a partir do qual se realiza a integração e o formato das políticas econômicas postas em prática durante o período. Lamy (2002), por sua vez, defende a idéia de que é necessário ser mais ambicioso tanto em nível bilateral quanto multilateral se quiser consolidar o processo de globalização, isto porque “o processo de globalização nos conduz inexoravelmente a respostas políticas comuns”.

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CARNEIRO, Ricardo. Globalização e Integração Regional. Real Instituto Elcano, Documento de Trabajo nº 43, 2008. Disponível em: http://www.iadb.org/intal/intalcdi/PE/2009/02469.pdf 

LAMY, Pascal. Enfrentar o desafio da globalização: integração regional ou regras multilaterais?. Fundação Getulio Vargas, 2002. Disponível em: http://trade.ec.europa.eu/doclib/docs/2004/september/tradoc_118793.pdf

Parte II - Etapa 2 a) b) Globalização e Integração Regional

Resenha do artigo: CARNEIRO, Ricardo. Globalização e Integração Regional. Real Instituto Elcano, Documento de Trabajo nº 43, 2008. Disponível em: http://www.iadb.org/intal/intalcdi/PE/2009/02469.pdf

Segundo Ricardo Carneiro (2008, p.2), “é muito comum se enfatizar a dimensão internacional da integração e menos a regional”. Mas ele apresenta no texto que em princípio as duas dimensões da integração podem se auto- reforçar, ou seja, o adensamento das relações intra-regionais pode reforçar a inserção internacional dos diversos países, ampliando o seu dinamismo.

Por exemplo, as economias regionais que desfrutam desse processo de integração são beneficiadas por uma dupla força dinâmica: a oriunda dos mercados globais (dimensão internacional) e aquelas decorrentes dos mercados intra-regionais (dimensão regional).

O texto, portanto, defende a relevância de não se considerar apenas o internacional, mas também de considerar dimensões domésticas do processo, tais como o momento histórico a partir do qual se realiza a integração e, não menos importante, o formato das políticas econômicas postas em prática durante o período. Sendo assim, torna-se possível constatar as diferenças existentes entra ambas as dimensões de integração, internacional e regional, e então explicar o porquê que em determinados setores – indústria, do ponto de vista estratégico, etc.- uma dimensão se sobressai da outra.

A primeira interpretação que Ricardo Carneiro utiliza para tratar de tais diferenças é a de Obstfeld e Taylor. Tais autores defendem que a globalização contemporânea teria como principal característica a significativa diferença entre os fluxos de capitais brutos e líquidos, com um peso desproporcional dos primeiros ante os segundos. Isto revelaria o porquê da principal motivação, por parte dos países centrais, na diversificação dos portfólios ante a constituição de ativos líquidos no exterior (2008, p.3). Eles também afirmam que o grande influxo durante o padrão-ouro deveu-se à importância de nações com populações escassas e grandes extensões territoriais, receptoras de migração européia e com tradição jurídica anglo-saxã, de forte compromisso com a proteção da propriedade privada. A inexistência ou perda de relevância desses países no mundo contemporâneo explicaria o declínio relativo dos fluxos de capitais em direção à periferia.

Por fim, para Obstfeld e Taylor, o regime cambial predominante na etapa da globalização é o do câmbio flutuante, em contraste com o padrão-ouro, durante o qual vigia o regime de câmbio fixo. Pois, diante das características dos fluxos de capitais nos dois momentos históricos — padrão-ouro e globalização —, uma hipótese mais plausível é a de que o regime cambial reflita a natureza e a composição desses fluxos. Se eles são multidirecionais e visam diversificar portfólios, não há incompatibilidade com o regime de câmbio flutuante (2008, p.4).

Outra visão que Ricardo Carneiro apresenta para avaliar o processo de globalização entre os países centrais, principalmente nos anos 1980, é a do autor Turner, o qual agrega outras características: o predomínio das transações entre desenvolvidos, a proximidade entre transações brutas e líquidas e a maior importância das operações com títulos ante os empréstimos (2008, p.4).

Sobre a dimensão produtiva da globalização, o texto sugere a análise de Dunning, que propõe a idéia de que a principal força motriz é a intensificação do progresso técnico que reduz os ciclos de produto e amplia os custos de P&D, forçando as empresas a uma redução do escopo da produção por meio da especialização no “core” produtivo e à busca de mercados mais amplos (2008, p.4-5).

De acordo com Ricardo Carneiro (2008, p.5), na dimensão produtiva da globalização é possível encontrar outras particularidades. Ela implica uma modificação da divisão internacional do trabalho em moldes distintos daquele observado durante o período de Bretton Woods. Para ele, nesta fase do desenvolvimento capitalista, o padrão de concorrência levava as empresas a buscarem mercados adicionais, se transplantando de maneira integral para os países da periferia. Portanto, nesse caso a restrição para implantação dessas empresas residia no tamanho do mercado, “vis a vis a escala de produção mínima, e no grau de complexidade tecnológica”. A globalização muda o perfil de concorrência e as empresas se deslocam em função do desmembramento de atividades com preservação do “core business” nos países centrais.

Outro ponto importante tratado no texto de Ricardo Carneiro são os padrões de integração global entre Ásia e a América Latina. Nesta discussão das novas modalidades de integração da periferia à economia global, ele utiliza autores como Dooley; Folkert-Landau e Garber, os quais sugerem a existência de duas formas principais, denominadas respectivamente de “trade account” e “capital accoun”t. A primeira diria respeito, principalmente, aos países da Ásia em desenvolvimento e se caracterizaria por privilegiar a articulação via fluxos de comércio e de Ide, e na segunda – capital account- prevaleceria a integração por meio dos fluxos de capitais e Ide de natureza patrimonial.

Portanto, o desempenho desigual do Ide, nas duas regiões periféricas, suscita uma breve reflexão sobre as suas razões. Conforme sugerido por Carneiro (2008, p.15), a causa essencial dessa diferença reside nos distintos padrões de integração da periferia à economia globalizada, com destaque para aquele da Ásia que se dá predominantemente via fluxos de comércio e Ide, e aquele da América Latina que ocorre prioritariamente via fluxos financeiros e com peso mais expressivo do Ide patrimonial.

Sobre os padrões de integração e desempenho o autor utiliza informações da Unctad, ano 2003, dizendo que países periféricos logram o desenvolvimento das forças produtivas por meio da industrialização, entendida esta última como um processo de diversificação setorial e de adensamento das cadeias produtivas. Ele ainda propõe que, se surgirem problemas recorrentes de restrição de divisas, esses países devem ampliar a participação das exportações de manufaturados no PIB em simultâneo com o aumento do emprego industrial no total da ocupação. Segundo Ricardo Carneiro (2008, p. 16), esse foi, e continua sendo, pelo menos para os países periféricos exitosos, o mecanismo por excelência do crescimento sustentado.

“O desenvolvimento suporia a criação de vantagens comparativas dinâmicas em contraposição às estáticas. Os casos de maior êxito seriam aqueles nos quais parte-se das vantagens estáticas por meio da participação nas cadeias globais de valor, inicialmente nos segmentos de maiores vantagens comparativas, intensivos em recursos naturais ou força de trabalho. Ao longo do tempo, a construção de cadeias produtivas mais densas e a implantação de novos setores vão deslocando as vantagens comparativas para áreas de maior complexidade tecnológica. Em simultâneo, o dinamismo inicial muito concentrado nos mercados externos e nas exportações vai se transferindo para os mercados criados pelos encadeamentos da estrutura produtiva doméstica” (2008, p.17).

E por fim, o texto trata dos padrões de integração intra-regional, Ásia e América Latina, cujas diferenças entre as duas principais regiões periféricas são marcantes não só quanto ao padrão de integração na economia global, mas também pelos distintos perfis de integração regional. Utilizando dados da Cepal, ano 2006, Ricardo Carneiro verifica que uma das características proeminentes da Ásia em desenvolvimento é a crescente integração intra-industrial regional que foi realizada ao longo do tempo pelas empresas do exterior, e da região, por meio do Ide. Essa integração se fez com o desmembramento da cadeia produtiva industrial conduzindo a uma intensificação do comércio intra-regional, cujo fundamento é, portanto, o comércio intra-industrial e mesmo intra-empresa. Segundo o autor, esse perfil de integração regional comandado pelo Ide foi muito menos intenso na América Latina (2008, p.20).

Sendo assim, o texto conclui que do ponto de vista estratégico há duas variáveis-chaves que podem conduzir a uma melhora do perfil da integração regional na América do Sul e sem as quais as iniciativas particulares perdem densidade, seriam: a manutenção de taxas de câmbio reais em patamares adequados e com baixa volatilidade, e a ampliação do investimento público em infra-estrutura em cada país. De acordo com Ricardo Carneiro, a primeira é condição necessária para a diferenciação da estrutura industrial em direção a setores mais intensivos em tecnologia por meio da atração de Ide e da ampliação da sua dimensão intra-regional. A segunda, além de permitir a redução de custos e de viabilizar a ampliação do comércio intra-regional permitirá a integração de novas áreas produtivas na economia regional (2008, p.29).

Dessa maneira, a constatação de uma forte divergência das regiões em termos de crescimento econômico indica a sua relação privilegiada com a forma de integração. Todavia, o foco nas formas de integração esclarece algumas questões cruciais sobre o desempenho diferenciado das regiões periféricas no contexto da globalização, mas não dá conta da integralidade das suas determinações. Para tal, seria imprescindível considerar dimensões domésticas do processo, tais como o momento histórico a partir do qual se realiza a integração e, não menos importante, o formato das políticas econômicas postas em prática durante o período. Estas considerações certamente esclareceriam com maior profundidade as diferenças de performance inter e intra-regionais (2008, p.29).

Parte II - Etapa 1 d) e) Impactos do avanço tecnológico na sociedade contemporânea

Como pensar a política internacional considerando as consequências da revolução informacional? Qual o impacto deste processo nos Estados Nacionais?

Tendo como base os textos utilizados anteriormente, e também algumas notícias coletadas a respeito do avanço tecnológico e o impacto que eles causam na sociedade contemporânea, podemos verificar que o Estado Nacional está intrinsecamente ligado à esta questão. Como afirmou Castells, é devido principalmente à intervenção estatal que a sociedade pode entrar num processo acelerado de modernização tecnológica capaz de mudar o destino das economias, do poder militar e do bem-estar social em poucos anos. (1999, p.43-44) Nessa mesma linha de pensamento, temos uma afirmação do Primeiro Ministro português, de que “uma rápida mudança na inovação, ciência e tecnologia só é possível com uma concertação estratégica entre Estado e empresas, entre Estado e mercado. Ele também disse que a inovação e o desenvolvimento tecnológico devem ser “uma das prioridades das políticas públicas e empresariais”, uma vez que “ninguém melhora a competitividade da sua economia, ninguém acrescenta mais valor aos produtos que produz, ninguém melhora a sua posição na economia global se não elevar também o seu ensino de excelência, virado para o conhecimento científico”. (Governo de Portugal, 2010)
Da mesma forma, podemos usar uma citação de outra notícia, na qual Ilan Goldman afirma que “o governo é um grande alavancador de trabalhos na área de TI no Brasil, na medida em que é um demandador de tarefas que têm de ser cumpridas pelo setor”. (Agência Brasil, 2010)
Nessa mesma notícia, podemos notar algumas consequências da revolução informacional na política internacional, quando o autor afirma que “o mercado mundial, cada vez mais interligado, oferece perspectivas favoráveis à exportação de produtos brasileiros de tecnologia da informação (TI)”, mas, ao mesmo tempo, ele afirma que “nesse ambiente cada vez mais globalizado, as empresas brasileiras precisam deter de fato essas tecnologias avançadas, ou seja, trazer uma novidade”. (Agência Brasil, 2010)
Para complementar a notícia da Agência Brasil (2010), podemos utilizar o argumento de Gorender (2007, s/p) que afirma que as empresas transnacionais continuam mantendo vínculos com os seus Estados Nacionais, então a atuação do Estado, tanto no âmbito econômico quanto no tecnológico, ainda é de extrema importância para a ascensão dessas empresas, que influenciam na política internacional dos seus respectivos Estados.
“As EMs constituem uma questão de política internacional para todo Estado nacional onde tenham sua matriz (e certamente, não menos, porém de forma inversa, para os Estados onde estejam suas subsidiárias). Quando a matriz se situa em país dotado de amplo mercado interno, a EM tem nele suporte fundamental, um ponto de apoio da expansão globalizante.” (GORENDER, 2007, s/p).
Outras consequências das inovações tecnológicas e da globalização, de um modo geral, pode ser percebido no texto de Carlos José Pedrosa, A farsa da globalização, onde ele faz a seguinte afirmação: “Começando pelos países do primeiro mundo, vemos que nem eles praticam, realmente, o livre comércio, gradativamente substituído pelo protecionismo disfarçado. Os países ricos insistem que os países pobres, também chamados de países em desenvolvimento, devem aderir ao livre comércio e abrir seus mercados para os produtos dos países ricos. Aí está a armadilha. Enquanto insistem nessa abertura, adotam uma política protecionista, criando barreiras à entrada dos produtos do terceiro mundo.” E ele ainda completa com uma análise sobre a globalização, onde ele diz que “entende-se a globalização como integração econômica, numa base de cooperação e troca, havendo reciprocidade na distribuição dos benefícios do progresso e da tecnologia. No entanto, a globalização, como está sendo praticada pelos países industrializados – diga-se países ricos – não tem o objetivo de levar a todos os países os benefícios do desenvolvimento, acelerar o progresso de cada país ou gerar o bem-estar das populações, o que seria até aceitável e benéfico. (PEDROSA, 2010) Aqui, pode ser feito um link com a segunda advertência dada por Postman, onde ele diz que “as vantagens e desvantagens das novas tecnologias nunca são distribuídas equitativamente entre a população”, (POSTMAN, 2004, s/p) e, da mesma forma, os impactos deixados pelo avanço tecnológico, sendo eles positivos ou negativos, também não são divididos harmonicamente entre todos os Estados.
A globalização não objetiva desenvolver todos os países, não existe uma distribuição equitativa dos seus benefícios, o que acentua a desigualdade, como afirma Postman. Podemos confirmar essa afirmação através do argumento de Gorender (2007, s/p), que afirma: “por si mesma, a economia globalizada impede, a longo prazo, o ascenso de todos ao mesmo tempo.” (GORENDER, 2007, s/p), o que afirma a citação de Postman, pois segundo Gorender a lógica da globalização é a desigualdade, dos perdedores em contrapartida aos vencedores.
“O que se indaga é se tal curso pode ser revertido, se a espontaneidade da globalização pode ser submetida a determinado controle eficiente, sem que se percam as conquistas positivas que vieram com ela.” (GORENDER, 2007, s/p).
Nessa sequência, a terceira advertência de Postman é que “qualquer tecnologia tem seu prejuízo”. (POSTMAN, 2004, s/p) E, então, podemos utilizar a notícia escrita por Daniel Oliveira para reafirmar isso, quando ele diz que “ligada em rede, a comunidade global pode dividir conhecimento, arte, tecnologia. Mas também a tragédia e as desgraças. As cinzas islandesas podem falir empresas, assim como o incumprimento bancário de proprietários de casas nos Estados Unidos pode arrebentar com a economia mundial. Potencialmente, tudo afeta toda a gente.” E ele mesmo faz uma advertência: “não deixar que nenhuma tecnologia domine todos os aspectos da nossa vida (…) ou seja, a imprevisibilidade dos tempos de modernos, que resulta da globalização e da tecnologia, obriga a não abandonarmos totalmente os instrumentos dos velhos tempos.” (OLIVEIRA, 2010)
Gorender considera as vantagens do avanço tecnológico para as empresas transnacionais, e a revolução informacional trouxe diversos benefícios devido a velocidade das informações em rede. “As novas tecnologias de computação e de telecomunicação permitem que os produtos sejam resultado de operações efetivadas em diferentes países e mesmo continentes, vinculadas em tempo real. Tal possibilidade incrementou a capacidade de expansão das empresas multinacionais (EMs), dando-lhes agilidade a fim de localizar suas operações nos pontos mais vantajosos sob os aspectos de custo e de mercado.” (GORENDER, 2007, s/p).

Textos e notícias:
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo, Paz e Terra, 1999. 


POSTMAN, Neil, Las 5 advertencias del cambio tecnologico. 2004. Disponível em: http://www.globalizacion.org/desarrollo/PostmanCambioTecnologico.htm

PEDROSA, Carlos José. A farsa da globalização. 2010. Disponível em: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/a-farsa-da-globalizacao/44624/

OLIVEIRA, Daniel. O efeito borboleta. 2010. Disponível em: http://aeiou.expresso.pt/o-efeito-borboleta=f577294

GOVERNO DE PORTUGAL. Não há sucesso econômico sem inovação, tecnologia e conhecimento. 2010. Disponível em: http://www.governo.gov.pt/pt/GC18/PrimeiroMinistro/Noticias/Pages/20100516 _PM_Not_America_Latina.aspx


GORENDER, Jacob. Globalização, tecnologia e relações de trabalho. Estud. av., São Paulo, v. 11, n. 29, 1997. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010340141997000100017 &script=sci_arttext&tlng=en

AGÊNCIA BRASIL. TI no Brasil vence desconfianças e mira mercado globalizado. 2010. Disponível em: http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/tecnologia/noticia/2010/05/15/ti-no-brasil-vence-desconfiancas-e-mira-mercado-globalizado-221957.php

BORGES, Karine. Sistemas de informação e sociedade: Transformações sociais aceleradas. A sociedade está preparada para tais transformações?. 2010. Disponível em: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/sistemas-de-informacao-e-sociedade/44922/

Parte II - Etapa 1 c) Principais tópicos discutidos nos artigos: “Globalização, tecnologia e relações de trabalho” e “Las 5 Advertencias Del Cambio Tecnologico”

Jacob Gorender define a globalização como uma intensa aceleração dos processos de internacionalização e mundialização, pois hoje em dia as economias nacionais recebem interferências das forças transnacionais. As leis do modo de produção capitalista determinam a financeirização e a mercantilização de todas as relações econômicas e sociais do Sistema Internacional, e essas relações sofreram muitas alterações ao longo dos anos. E uma das principais alterações dessas relações foi a passagem do regime fordista ao regime de produção enxuta (lean production).
O Fordismo surgiu como uma nova alternativa para a organização do trabalho, visando alcançar um maior volume de produção a preços reduzidos, então o regime fordista adotou o sistema criado por Frederick Taylor, que fazia a separação entre trabalho manual e trabalho intelectual. Com a aplicação do regime fordista, o automóvel teve seu custo de produção reduzido e passou a ser uma mercadoria mais acessível.
“Contudo, à altura da década de 70, após cerca de 30 anos, hoje qualificados de gloriosos, o regime fordista-keynesiano já evidenciava com muita clareza seus pontos fracos, traduzidos no acúmulo de deficiências. Em primeiro lugar, chamava a atenção a desmotivação dos operários, manifestada em altos índices de abandono do trabalho e rotatividade no emprego, no absenteísmo elevado, no alcoolismo, no fraco empenho nas tarefas.” (GORENDER, 2007 s/p).
Com as insuficiências do modelo fordista, a indústria japonesa entrou em cena para intensificar a concorrência no setor automobilístico, e com isso o fordismo é colocado em xeque.
“Nos termos da teoria da regulação, cabe inferir que o regime de regulação fordista-keynesiano do modo de produção capitalista entrou em crise na década de 70 e foi substituído por outro, o qual trouxe consigo a mudança do regime de desenvolvimento e do regime de acumulação. Esta transformação no sistema capitalista mundial abrange o Estado, as inovações tecnológicas, as políticas financeiras e industriais, o comércio mundial, as empresas multinacionais, as relações internacionais, a organização do trabalho, as formas de emprego e desemprego, as ideologias, os estilos de vida e os comportamentos individuais, com efeitos sobre a luta de classes.” (GORENDER, 2007, s/p).
O toyotismo surgiu no Japão, modelo muito diferente do fordista, pois dava importância às equipes de trabalho – células de produção, havia uma flexibilização do trabalho e os funcionários deveriam ser polivalentes, tendo o conhecimento de vários oficios. Com a aplicação do toyotismo houve uma mudança na organização do trabalho e nas relações das empresas com os trabalhadores e seus sindicatos. Segundo Jacob Gorender, a organização japonesa do trabalho (toyotismo) um dos elementos concretos do processo de globalização capitalista, pois ocorreu uma difusão desse modelo de organização em diversos países devido ao seu nível de desenvolvimento econômico.
“No quadro de referência da globalização, as relações de trabalho sofrem de instabilidade acentuada. A introdução da organização japonesa tem permitido a imposição pelas empresas da intensificação do trabalho, potenciada pelo alto grau de desemprego e pelo acirramento da concorrência.” (GORENDER, 2007, s/p).
De acordo com Gorender, o processo de globalização trouxe alterações no âmbito da produção, nas relações de trabalho, no comércio, vida social, etc. A Revolução tecnológica trouxe novas formas de produção, pesquisa e desenvolvimento para as empresas, e com a implementação dessa tecnologia se tornou necessário cada vez mais qualificação por parte dos funcionários, e isso gera o desemprego estrutural. Com a inovação tecnológica e a automação e robotização de diversas funções, ocorre desemprego. O autor também aponta a política deflacionária como um fator importante que gera desemprego.
“Não há escape de nós mesmos. O dilema humano continua sendo o que era, e é um engano crer que as mudanças tecnológicas da nossa era vão tornar inúteis a sabedoria milenar e os sábios.” (POSTMAN, 2004, s/p) Com essas palavras, Neil Postman começa sua reflexão a respeito das mudanças tecnológicas e os efeitos da tecnologia sobre o nosso espírito. Ele sintetiza seu pensamento no que ele chama de 5 advertências.
A primeira advertência é que “toda mudança tecnológica implica um compromisso”. Ou seja, qualquer vantagem que a tecnologia venha a oferecer, acarretará em uma desvantagem correspondente. O autor afirma ser surpreendente a quantidade de pessoas que crêem que as novas tecnologias “são como uma bênção do céu”. (POSTMAN, 2004, s/p) É preciso pensarmos melhor no que consideramos benefícios das inovações tecnológicas, uma vez que elas podem tornarem-se, no futuro, um problema a ser resolvido. Sintetizando, a “primeira advertência é que a cultura paga um preço pela tecnologia que incorpora”.
A segunda advertência está ligada à primeira, e diz que “as vantagens e desvantagens das novas tecnologias nunca são distribuídas equitativamente entre a população”. Ao mesmo tempo em que beneficia alguns (poucos), acaba prejudicando outros, ou, até mesmo não afetando de forma alguma a vida de outros que são completamente excluídos desse processo. Postman diz que, quem realmente se preocupa com as mudanças tecnológicas está preocupado com as seguintes perguntas: “Quem vai beneficiar-se do desenvolvimento desta nova tecnologia? Que grupo, que tipo de pessoas, que tipo de indústria vai ser favorecida? Quais grupos de pessoas serão prejudicados?” (POSTMAN, 2004, s/p)
A terceira advertência é que “qualquer tecnologia tem seu prejuízo”. Por isso, o autor explica que toda tecnologia nos afeta de alguma forma, e o importante é saber em que medida ela muda o nosso mundo, quais dos nossos sentidos se amplificam e quais das nossas emoções e tendências intelectuais são afetadas negativamente.
A quarta advertência é a seguinte: “a mudança tecnológica não é aditiva, e sim ecológica”. A explicação para essa afirmação é feita através de uma analogia. O autor pergunta o que ocorre se jogarmos uma gota de tinta vermelha em uma jarra de água transparente? “Teremos água transparente ou água clara com uma gota de tinta vermelha? Obviamente nenhuma das duas. Teremos uma nova coloração em todas as moléculas de água contidas na jarra.” Isso significa que, depois que uma tecnologia é criada, não há como voltar atrás e também não há como impedir sua dissipação. Suas conseqüências são sempre amplas e, em sua maior parte irreversíveis. (POSTMAN, 2004, s/p)
A quinta e última advertência é a de que “tendemos a fazer dos meios um mito”. Postman explica melhor sua afirmação dizendo que tratamos as inovações tecnológicas como se fossem criações divinas. Para o autor, o problema é que quando algo é considerado divino, não está facilmente sucessível a modificação ou controle. Segundo ele, “a melhor maneira de ver a tecnologia é como um intruso estranho, lembrando que a tecnologia não é parte de um plano divino e sim o produto da criatividade humana”. (POSTMAN, 2004, s/p)



GORENDER, Jacob. Globalização, tecnologia e relações de trabalho. Estud. av., São Paulo, v. 11, n. 29, 1997. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010340141997000100017 &script=sci_arttext&tlng=en

POSTMAN, Neil. Las 5 Advertencias Del Cambio Tecnologico. 2004. Disponivel em: http://www.globalizacion.org/desarrollo/PostmanCambioTecnologico.htm

Parte II - Etapa 1 b) Principais consequências da revolução informacional na sociedade contemporânea

Com a Revolução Informacional ocorreu uma mudança na forma do tratamento da informação, tornando o trabalho cada vez mais qualificado, e isso sindicalistas e militantes políticos consideram como uma consequência irreversível da modernização tecnológica, pois gera desemprego. (LOJKINE, 1999, p. 83) Mas, o que ocorre é o desemprego estrutural, ou seja, um desemprego devido à mudanças na estrutura da organização do trabalho, que está necessitando cada vez mais de funcionários polivalentes.
“Trata-se de um enriquecimento e uma ampliação do trabalho, uma forma de poliatividade desenvolvida num tal nível que não teria sido possível com as tecnologias da mecanização industrial clássica: não se deve confundir uma verdadeira polivalência que requer no mínimo seis meses de formação em tempo integral com as polivalências tapa-buracos, que requerem apenas alguns dias ou semanas de preparo.” (LOJKINE, 1999, p. 84, grifos do autor).
Com as transformações que ocorreram devido à Revolução Informacional, o homem é liberado das tarefas ligadas diretamente ao funcionamento das máquinas, e isso exige funções humanas mais qualificadas.
O desenvolvimento que a revolução informacional gerou, nos mais diversos países, provocou uma desigualdade acentuada e crescente nas sociedades. (CASTELLS, 1999, p.40)
“Um novo sistema de comunicação que fala cada vez mais uma língua universal digital está promovendo a integração global da produção e distribuição de palavras, sons e imagens de nossa cultura como personalizando-os ao gosto das identidades e humores dos indivíduos”. (CASTELLS, 1999, p.40)
Entretanto, concomitantemente, mudanças maléficas também ocorreram, pois “atividades criminosas e organizações ao estilo da máfia de todo o mundo também se tornaram globais e informacionais”. (CASTELLS, 1999, p.40)
A grande difusão de informações através da mídia vem arrastando os sistemas políticos para “uma crise estrutural de legitimidade”. (CASTELLS, 1999, p.41) Este caso fica evidente quando lemos nos jornais ou assistimos na televisão as notícias diárias e absurdas, que mostram a incompetência e falta de honestidade dos políticos, que agora têm suas atitudes expostas para toda a sociedade.

LOJKINE, Jean. Os desafios da revolução informacional no 

limiar do terceiro milênio. In: OLIVEIRA, Flávia Arlanch 

Martins (Org). Editora UNESP, 1999, p.129-141.


CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo, Paz e 

Terra, 1999.

Parte II - Etapa 1 a) Os desafios da revolução informacional





Jean Lojkine acredita que ocorreu uma Revolução Informacional, que se opõe a Revolução Industrial. A Revolução Industrial é caracterizada por uma revolução tecnológica em um único setor da economia, que é o setor industrial. Já a Revolução Informacional atinge todos os setores da economia, e se tratando de uma forma mais ampla, todos os setores de atividades da sociedade, não só o setor profissional.
“Porém, uma vez mais, a revolução informacional não se limita a uma mera mutação tecnológica, mesmo sendo crucial; de uma forma mais global, é mais uma revolução na utilização humana da informação, e isto não é absolutamente a mesma coisa que denominamos revolução informática.” (LOJKINE, 1999, p. 70, grifos do autor).
Segundo Lojkine (1999, p. 70), houve um deslocamento do trabalho humano, que passou da manipulação da informação para o tratamento da informação, mas isso não significa que ocorreu uma substituição dos homens pelas máquinas. Com a revolução Informacional houve uma mudança na organização do trabalho, houve uma descentralização vertical nas estruturas organizacionais das empresas, e essa recomposição vertical gerou uma zona de conflitos e ambivalências entre o nível estratégico e o nível operacional (LOJKINE, 1999, p. 81).
Lojkine (1999, p. 82) acredita que deveria ser reduzido a zero este processo de descentralização vertical, pois a separação dos níveis de produção e qualidade aguça os conflitos entre as elites (informações estratégicas) e os grupos operacionais (assalariados), o que é a causa de crises das organizações burocráticas atualmente.
“(...)a separação entre as tarefas de concepção e de execução conduz a um diálogo de cego e mudo: os dirigentes cegos não sabem o que se passa realmente nas oficinas e nos serviços e não podem considerar esses elementos nas suas concepções, dada a mudez dos executores no plano da estratégia.” (LOJKINE, 1999, p. 82).
Concluindo, segundo Lojkine (1999, p. 83), os maiores desafios da Revolução Informacional moram na questão das relações de trabalho, pois não existe uma ligação horizontal direta entre engenheiros, grupos de produção e conjuntos de gestão estratégica.
Manuel Castells inicia seu texto falando sobre a revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação, e como ela fez com que as bases das sociedades fossem afetadas de forma acelerada, e ainda, de como atividades das mais diferentes áreas se tornaram globais e informacionais. (CASTELLS, 1999, p.39)
Logo no começo, o autor deixa claro que, devido as tendências dessa revolução, o desenvolvimento que ela gerou nos mais diversos países provocou uma desigualdade acentuada, o que se caracteriza como um dos desafios da revolução informacional. (CASTELLS, 1999, p.40)
Segundo Castells (1999, p.40), “um novo sistema de comunicação que fala cada vez mais uma língua universal digital está promovendo a integração global da produção e distribuição de palavras, sons e imagens de nossa cultura como personalizando-os ao gosto das identidades e humores dos indivíduos”. No entanto, ao mesmo tempo em que mudanças benéficas ocorreram, “atividades criminosas e organizações ao estilo da máfia de todo o mundo também se tornaram globais e informacionais”.
A frase que caracteriza o seu texto e remete aos desafios da revolução informacional é que, “as mudanças sociais são tão drásticas quanto os processos de transformação tecnológica e econômica”.
(CASTELLS, 1999, p.40)
Outro ponto apresentado pelo autor é que, a grande difusão de informações através da mídia vem arrastando os sistemas políticos para “uma crise estrutural de legitimidade”. (CASTELLS, 1999, p.41) Ou seja, todos os erros, ou melhor dizendo, a corrupção e a podridão persistente nos sistemas políticos, que outrora passavam despercebidos, agora estão expostos em todas as sociedades.
Ainda segundo Castells, “é claro que a tecnologia não determina a sociedade (…) nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica”, mas assim mesmo, “embora não determine a tecnologia, a sociedade pode sufocar seu desenvolvimento principalmente por intermédio do Estado. Ou então, também principalmente pela intervenção estatal, a sociedade pode entrar num processo acelerado de modernização tecnológica capaz de mudar o destino das economias, do poder militar e do bem-estar social em poucos anos”. E, ele ainda afirma que, “sem dúvida, a habilidade ou inabilidade de as sociedades dominarem a tecnologia e, em especial, aquelas tecnologias que são estrategicamente decisivas em cada período histórico, traça seu destino a ponto de podermos dizer que, embora não determine a evolução histórica e a transformação social, a tecnologia (ou sua falta) incorpora a capacidade de transformação das sociedades”. (CASTELLS, 1999, p.43-44)
Para terminar, Castells afirma que “todas as sociedades são afetadas pelo capitalismo e informacionalismo, e muitas delas (certamente todas as sociedades importantes) já são informacionais, embora de tipos diferentes, em diferentes cenários e com expressões culturais/institucionais específicas.” (CASTELLS, 1999, p.57)

LOJKINE, Jean. Os desafios da revolução informacional no 

limiar do terceiro milênio. In: OLIVEIRA, Flávia Arlanch 


Martins (Org). Editora UNESP, 1999, p.129-141.


CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo, Paz e 


Terra, 1999.